quinta-feira, 28 de abril de 2016

Vingadores: A era de Ultron (2015) - Crítica

por Neilania Rodrigues

Contém spoiler

Não concordo com Joss Whedon quando ele disse que “falhou miseravelmente” no segundo filme dos Vingadores. Embora eu, com certeza, teria pelo menos, terminado o filme de maneira diferente.
Vejamos alguns pontos:
Muitos personagens para administrar – contar uma história de maneira interessante e divertida não é fácil, e quando há tantos personagens se torna ainda mais complicado. Não me refiro a uma possível guerra de egos entre os atores que poderiam querer aparecer mais ou menos, mas sim, ao fato de conseguir amarrar todo mundo sem deixar a trama frouxa. Fazer com que cada personagem tenha sua devida importância para que você não tenha a impressão de que tem gente ganhando dinheiro sem se esforçar. Ele faz isso bem, pelo menos na maior parte do filme, principalmente, considerando que mesmo personagens classicamente chatos (bem, no meu tempo de leitora de HQs, o Pietro e a Wanda eram um nojo!), ficarem interessantes e até simpáticos, como ele fez com o beberrão do Tony Stark.
#botamaisuma

No primeiro filme são cinco heróis (Hulk, Homem de Ferro, Thor, Viúva Negra e Gavião Arqueiro), no segundo, são acrescentados mais três Visão, Mercúrio e a Feiticeira Escarlate (ou os irmãos Maximoff), e ainda insere rapidamente na trama o Falcão e Máquina de Combate (ufa!). Tem mesmo que cronometrar para botar esse povo todo na tela.
A História – bem, temos aqui uma premissa interessante, mas deixa aquele gosto de não entendi. Eu explico: o Thor veio atrás do irmão e claro do Tesseract (será que é assim mesmo que escreve?), mas ir embora sem levar o cetro? Ai meu Deus! Nós entendemos como o danado foi parar nas mãos da Hidra, mas não entendemos o motivo pelo qual Thor não levou aquele troço de volta para Asgard. O perigo que o cetro representava ficou claro, ele usou para dominar todo mundo que trabalhou para ele, além do mais, o Loki não queria se separar dele, “só” por isso já dava para perceber o perigo. Claro que foi uma sacada colocar uma das joias do infinito nele. Isso resolveria dois problemas: o primeiro são os poderes dos gêmeos e o segundo, o fato de a Feiticeira ficar com o Visão, mas ainda assim, fica aquele gostinho de vacilo.   

Os irmãos Maximoff na trama. Eles estão lá, tem os motivos, embora para mim, culpar o Stark por todas as coisas ruins que aconteceram a eles seja um pouco demais. É como culpar os fabricantes de chocolate e os restaurantes fast-food pelo aumento da obesidade, peraí. Eles existem, mas você não é obrigado a comer. É sua opção, mesmo que seja uma opção ruim, vamos admitir. Bem, o Tony construiu as armas, mas não disparou os tiros, então, a gente vê logo que é pura loucura, e no caso da Wanda, é tão evidente que dá medo. Quando ela sorri enquanto o Pietro revoltado assiste o Tony se apossar do cetro, diz tudo sobre o estado mental da moça. Engraçado que o Pietro sempre foi o mais chato dos irmãos nas HQs, mas ela é... (hummm, lelé da cuca!).  
Tá olhando o quê?
 




Então o Joss pegou leve com ele porque ia matar o coitado, affe, não precisava!

#xatiado

Como eu disse, eu teria terminado o filme de maneira diferente. Já que a Wanda estava se sentindo tão culpada, (e não é para menos, o que eles fizeram não foi uma cagada, foi um balde de merda!), ela poderia ter colocado Sokóvia no chão e placidamente morrido nos braços do irmão depois de todo o esforço. Sim, eu gosto mais do Pietro, não vou mentir, mas quem tem conhecimento dos poderes do Mercúrio, achou assim como eu, difícil de engolir aquela morte. Mesmo que você tenha que aceitar que ele ainda estava se adaptando aos poderes dele, porque como disse o Barão da Hidra: “eles ainda não estão prontos”. Pelo amor de Deus! Esse foi um vacilo grande! 
Reação pós-morte do Mercúrio

Ele salvou várias pessoas daquele trem desgovernado e poderia ter feito muito mais! Outro furo. Ficou um gosto ruim! Mas bem, continuando. O Thor e sua visão foi algo legal. Mas onde ele conseguiu aquela roupa quando foi ver o Dr. Selvik? Deixa, estou brincando, isso é preciosismo. É como se perguntar como o Capitão, a Wanda e o Pietro chegaram ao laboratório, já que o Gavião estava com o jato, o Tony e o Bruce em Nova York e ninguém estava “atendendo o telefone”. Bem, como o Mercúrio chegou lá eu sei, e aposto que ele deu uma carona a irmã, já o Capitão... Não sei.
Acabamos conhecendo o maior medo do Stark. Não se enganem, o medo dele não é ver os amigos dele mortos, mas falhar como gênio construtor. Ele acha que pode salvar o mundo e não precisa consultar ninguém a respeito porque é Tony Stark. O “badass” acostumado a fazer as autoridades de besta e gozar com a cara de todo mundo. Por que só na cabeça dele ser um playboy pode ser incluso numa lista de qualidades! Ei, eu gosto do Tony, ok, eu fiz a defesa dele lá atrás, não esqueçam.
O Ultron. Gente, é o melhor do filme! 
"Como era mesmo o nome? Crianças."
Um androide com problemas emocionais é uma sacada legal. Além do que o James Spader, que você pode identificar só pelo movimento da cabeça, quando ele está conversando com os gêmeos na caverna, está muito bom. Ele é parecido com o Tony, mas muito mais louco. Ele é cínico, engraçado e quem não riu na parte em que ele fala: “claro, eu queria mesmo esse tempo para contar o meu plano...”, nunca assistiu a um filme de vilão megalomaníaco, aquele cara que sente necessidade de se explicar. Bem, ele não precisa, pois tem os gêmeos, que ele meio que “adota”. Mas ele também se sente só e está “sofrendo” como disse o Visão. Eita, um androide avaliando a condição psicológica de outro, é muito louco isso! E foi um trecho longo do filme, tão filosófico que eu fiquei tonta. Mas enfim, ele (o Ultron) é pura diversão!
Assim, eu poderia enumerar mais algumas situações, como por exemplo, a do Capitão América. Mas ele é um cara ainda “novo” nesse novo mundo. Não sejamos duros com ele como o Tony foi, acusando-o de não ter um lado sombrio. Acho apenas que ele ainda está procurando o seu lugar. Ele tem sido apenas soldado desde que “voltou à vida” e, talvez, seu lado sombrio esteja no filme Capitão América: Guerra Civil.
Então, vejo esse como um bom filme. Sim, tem falhas, mas não perde a força cada vez que vejo. Apenas me deixa uma forte impressão que, em um universo ali ao lado, as coisas poderiam ser um pouco diferentes e mais bem finalizadas. A propósito, para quem acha que se a Wanda tivesse colocado Sokóvia no chão, tiraria a força desse novo filme, Guerra Civil, se engana. O General Ross estaria mais assustado com alguém que coloca uma rocha com milhões de toneladas no chão, do que com um grupo que destrói. Sim, e você diria: “mas a Feiticeira morreria”. Mas bem, quem é que morre de verdade no universo Marvel?
Vingadores - A era de Ultron

Capitão América Guerra Civil